A borboleta Marieta quase não saia de casa e nunca voava.
A borboleta Marieta não tinha amigos
e vivia muito tristinha,
com as asas abaixadas,
sempre sozinha.
Por isso, a borboleta Marieta
as vezes ficava cinza,
outras horas ficava preta.
Raras foram as vezes que a borboleta Marieta ficou cor-de-rosa,
azul bebê,
amarelo claro...
Era mais fácil ela aparecer vermelha de raiva...
...Ou roxa de aflição!
Mas de verdade ela era transparente.
Num daqueles dias cinzentos, a borboleta Marieta,
tão encolhida de tristeza,
viu passar, num vôo raso, um beija-flor.
O beija-flor Zeca Trombeta
era meio cegueta.
Assim sem óculos, lá de cima,
ele achou que a borboleta Marieta
era uma flor cinzenta.
Para surpresa de Marieta,
o beija-flor Zeca Trombeta
deu de fazer vôos estranhos e cada pirueta!
A cada movimento, Marieta, sem perceber
mudava de cor,
até ficar branca de pavor!
Primeiro voar, depois beijar.
Zeca Trombeta só pensaa em namorar...
Num bailado complicado
e já muito ensaiado,
Zeca Trombeta baixou
e na borboleta Marieta, assustada,
um beijo pespegou.
A borboleta Marieta encantada,
Fez-se de todas as cores para o namorado e, emocionada
voou.
Não adiantava mesmo dizer para Zeca Trombeta
que Marieta era uma borboleta.
Ele sempre achou que ela era uma flor.
Ah! Nada como o amor...
Shiller, Cláudia. A borboleta Marieta e o beija-flor Zeca Trombeta, um amor de romance. Ed. Difel. São Paulo. 1986
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